Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

os teorizadores e os dias de não amanhecer

às vezes, é como se os teus suspiros abafassem toda a Teoria da Literatura que os cidadãos do mundo se foram entretendo a tecer: uns pela boca dos outros: uns pela boca dos outros, mais nada.

e isto, num murmúrio cálido, num momento de apagamento geral de todos os ventos do planeta - como lâmpadas de um mundo restrito e subterrâneo - túneis secretos que transportam homens e mulheres enlouquecidos pelos seus próprios amores, por debaixo das principais avenidas das principais cidades da europa, como labirintos de uma proibição mórbida: como dantes. mas os lugares recônditos que éramos agora já não são nada.

às vezes, é como se os carros fossem lágrimas metálicas - matéria-triste da vida que escoa pelo alcatrão nocturno e fracamente iluminado. mas, na verdade, nada disto importa quando te tenho ao lado e a noite é um t0 connosco lá dentro. e gatos.

às vezes, os meus sentimentos de inutilidade não são senão eles próprios inúteis habitantes da realidade anestésica que me permito viver quando não te tenho perto; e os olhos: qual espelho de um-mar-meu-teu-nosso de nele me ver sempre diferente, e de sempre diferente me devolver a mim mesmo nesta intermitência de olhares de amor.

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Terça-feira, 3 de Janeiro de 2012

os teorizadores e os dias de não amanhecer

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às vezes, é como se os teus suspiros abafassem toda a Teoria da Literatura que os cidadãos do mundo se foram entretendo a tecer: uns pela boca dos outros: uns pela boca dos outros, mais nada.

e isto, num murmúrio cálido, num momento de apagamento geral de todos os ventos do planeta - como lâmpadas de um mundo restrito e subterrâneo - túneis secretos que transportam homens e mulheres enlouquecidos pelos seus próprios amores, por debaixo das principais avenidas das principais cidades da europa, como labirintos de uma proibição mórbida: como dantes. mas os lugares recônditos que éramos agora já não são nada.

às vezes, é como se os carros fossem lágrimas metálicas - matéria-triste da vida que escoa pelo alcatrão nocturno e fracamente iluminado. mas, na verdade, nada disto importa quando te tenho ao lado e a noite é um t0 connosco lá dentro. e gatos.

às vezes, os meus sentimentos de inutilidade não são senão eles próprios inúteis habitantes da realidade anestésica que me permito viver quando não te tenho perto; e os olhos: qual espelho de um-mar-meu-teu-nosso de nele me ver sempre diferente, e de sempre diferente me devolver a mim mesmo nesta intermitência de olhares de amor.

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