Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011

Χάος

tentar. tentar só. caos mental de existir: a chuva faz adivinhar uma sucessão de dias iguais através dos quais me arrasto pensador-cinzento. somente a chegada do inverno me faz feliz - enfrentar a intempérie de teorizações absurdas que é a Praça de Espanha e a Avenida de Berna, fustigado por intensas rajadas de vento e por uma chuva ainda morna do sol que há dias brilhou. embora muito caminhe - e sim, caminhar é um exercício maioritariamente mental - são raras as vezes a que chego a conclusões sobre o que quer que seja. tudo fica a pairar no âmago do meu ser lúgubre - galáxias inteiras de considerações várias sobre o mundo que nunca hão de tomar forma mundana nem chegar às paredes de todas as cidades. e depois, depois da penumbra embalar a cidade e a deixar cair na noite silenciosa, nada resta em mim se não as imagens do defuntos que se cruzam comigo todos os dias - pálidos e magros e vazios. e os olhos!, vou sempre olhá-los nos olhos - é por aí que se vê. vê comigo! vê como a chegada do inverno lhes é indiferente. como é que não vêem que deus chegou à cidade para devastar tudo? o que é o vento? o que é a chuva? que restos vão ficar disto tudo? - esta onda de saudosismo helénico apetrechado de ideias caóticas afoga-me o espírito em fascínios múltiplos com as proporções mágicas das faces de todas as mulheres do mundo. e o céu derrete sem cor porque nunca antes fora azul.

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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011

Χάος

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tentar. tentar só. caos mental de existir: a chuva faz adivinhar uma sucessão de dias iguais através dos quais me arrasto pensador-cinzento. somente a chegada do inverno me faz feliz - enfrentar a intempérie de teorizações absurdas que é a Praça de Espanha e a Avenida de Berna, fustigado por intensas rajadas de vento e por uma chuva ainda morna do sol que há dias brilhou. embora muito caminhe - e sim, caminhar é um exercício maioritariamente mental - são raras as vezes a que chego a conclusões sobre o que quer que seja. tudo fica a pairar no âmago do meu ser lúgubre - galáxias inteiras de considerações várias sobre o mundo que nunca hão de tomar forma mundana nem chegar às paredes de todas as cidades. e depois, depois da penumbra embalar a cidade e a deixar cair na noite silenciosa, nada resta em mim se não as imagens do defuntos que se cruzam comigo todos os dias - pálidos e magros e vazios. e os olhos!, vou sempre olhá-los nos olhos - é por aí que se vê. vê comigo! vê como a chegada do inverno lhes é indiferente. como é que não vêem que deus chegou à cidade para devastar tudo? o que é o vento? o que é a chuva? que restos vão ficar disto tudo? - esta onda de saudosismo helénico apetrechado de ideias caóticas afoga-me o espírito em fascínios múltiplos com as proporções mágicas das faces de todas as mulheres do mundo. e o céu derrete sem cor porque nunca antes fora azul.

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